Ouça se puder o grito que ultrapassa essas letras.
Andei em direção ao imaginável irreal. Parei à beira do caminho tentando observá-lo. Nada.
Estava quente e eu retomei à direção da ilusão.
Andei em direção ao imaginável irreal. Parei à beira do caminho tentando observá-lo. Nada.
Estava quente e eu retomei à direção da ilusão.
São sonhos meus, apenas isso. Sonhos tão irreais. Talvez não. Tenho para mim que a irrealidade está na forma como busco a realização e não na esperança de vivenciá-la.
Eu sei. Não consegues ouvir. Nem eu reconheço com prescisão o sonido das letras, do âmago solitário. É mudo também: fala-me numa linguagem singular. Código que desejaria passar de mim e não mais tentar decifrá-lo.
Mas cabe a mim, somente a mim, reconhecer sua senha: Fôgos e Fogos. É assim. Parecem semelhantes as palavras, não as são. Muda tudo, mudo. E eu tenho cambiado muito com apenas um acento em meu íntimo. Não há borracha que possa apagar o que por si só insiste em permancer como fora criado. Sou como mudos fogos de artifícios. Emano luz, sim, mas não posso dizer a fonte da iluminação, não posso emitir o verdadeiro som.
Minha alegria se assemelha a esses fogos. Andando andei e encontrei algumas possíveis realizações, mas quando as contemplei de perto, quando meus passos se aproximaram de suas faces, vi luz mas não escutei enxergando o verdadeiro som: é preciso ouvri-me primeiro.
.
.
Imagem: flickr.com
